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A lenda das 700 Luas da Tribo Terena

A lenda das 700 Luas, da Tribo Terena

Primeiramente, parabenizamos Birgitte Tümmler: foi ela que desenhou a índia Cacai, na ilustração acima – feita em caneta esferográfica – e que gentilmente permitiu que a utilizássemos. Nascida em Copenhague, Dinamarca, Birgitte Tümmler, veio ao Brasil ainda criança e cresceu em um sítio na região metropolitana de Curitiba com seus pais ensinando-a a viver como uma dinamarquesa. Esse hibridismo tornou-se parte de sua vida. Envolveu-se com arqueologia, espeleologia e escotismo, trazendo à tona seu amor pela natureza brasileira.

 

Os Terena são um dos povos que coloriu com histórias fabulosas a região de Bonito e Pantanal Sul. Uma delas, talvez a mais romântica, é a Lenda das 700 Luas.

Nesta lenda belíssima podemos ver o tipo de coragem que até hoje caracteriza as mulheres. A coragem transparente, que vem do coração, que luta sem armas, sem superpoderes. A que enfrenta o destino a que suas decisões levarem. Mesmo sabendo que ele será terrível.

Cacai era a mais bonita de todas as jovens Terenas. Ela pertencia a uma tribo localizada aqui na região de Bonito e Pantanal Sul. A beleza de Cacai era conhecida até mesmo por guerreiros de outras tribo. Todos já haviam ouvido falar dela e de seus encantos. Impossível não ter dezenas de pretendentes e admiradores.

 

O jovem cacique da tribo de Cacai resolveu que chegara o momento de ter uma companheira.

Escolheu Cacai. Seguindo a tradição, convidou-a para o pacto das 700 luas.

Os noivos fazem um trato de que durante 700 luas iriam se conhecer. Após esse tempo eles decidiriam quanto às núpcias. A decisão era soberana e livre, como cabia a todos os Terenas, fossem homens ou mulheres. A negativa era aceita com naturalidade e com respeito por toda a tribo.

Se a resolução fosse pelo casamento, o pacto era consumado em um ritual de amor e fidelidade eterna. Essa era a escolha mais importante na vida de um terena. Não podia haver erro. A união era dessas que nem a morte poderia separar. Os terenas acreditam na existência de uma alma imortal.

Durante 700 luas aconteceu o namoro de Cacai e do jovem chefe da tribo. Mas… a vida sempre acrescenta um “mas” aos planos das pessoas.

 

Certo dia a tribo de Cacai aprisionou um guerreiro estrangeiro.

Com a pele clara e um brilho nos olhos que Cacai jamais tinha visto antes. Cabelos castanhos com algumas mechas brancas revelava que aquele guerreiro forte e ágil era quase um ancião. Cacai cuidou de seus ferimentos, ensinou-lhe a sua língua, conquistou a sua alma e descobriu que ele sim, era o verdadeiro amor de sua vida.

Ao final das 700 luas, a resposta de Cacai foi de que não se casaria com o chefe da tribo.
Ele, inconformado e enfurecido, obrigou a realização do ritual, contrariando a sagrada tradição Terena. O pacto foi realizado e, para desespero de Cacai, as palavras mágicas foram pronunciadas. Não havia mais esperanças para Cacai e seu amado. Qualquer mulher que quebrasse o sagrado juramento tinha o seu coração transpassado por uma flecha Terena. Cacai sabia disso, mas sabia também que devia obediência ao valor supremo do amor. Curvou-se a ele.

 

Naquele mesmo dia fugiram em uma canoa, descendo o Rio Formoso.

O cacique viu e reuniu seus guerreiros para cumprir o destino reservado a quem rompesse o pacto.

E assim foi feito.

O sangue de Cacai e de seu amado foram tornando a água do Formoso cada vez mais limpa, até a última gota que foi derramada. Todo o rio estava com a água cristalina e transparente como fora o coração de Cacai.

 

Cacai vive no que existe de mais bonito.

Desde então, todos que vem para a região de Bonito e Pantanal Sul podem encontrar o amor de Cacai na brisa e nas flores coloridas, nas águas cristalinas, na alegria dos pássaros, na gargalhada das cachoeiras, na magia das grutas e no perfume das matas.

(Texto adaptado a partir do original de Autor desconhecido)

 

Terena, o povo que brotou da terra

Para os historiadores, os Terena descendem dos Aruák, um dos dois povos que primeiro se encontraram com os navegantes europeus descobridores do novo mundo. Essa constatação envolveu “escavar” no tempo e na linguagem, identificando determinadas palavras utilizadas pelos Terena como marcos de passagem do povo na geografia da América.

O nome Aruák vem de povos que habitavam principalmente as Guianas, região próxima ao norte do Brasil e algumas ilhas da América Central, na região das Antilhas. Quando os europeus começaram a dominar a região, os Aruák dividiam e disputavam o mesmo espaço com outro povo indígena, os Karib.

Circe Maria Bittencourt e Maria Elisa Ladeira, autoras do livro “A História do povo Terena”, trouxeram à luz aspectos encantadores e curiosos, incluindo o relato colhido em 1995 junto à professores da aldeia de Cachoeirinha, em Miranda (MS), que resumiram assim a criação de seu povo:

“A criação do povo Terena. Havia um homem chamado Oreka Yuvakae. Este homem ninguém sabia da sua origem, não tinha pai e nem mãe, era um homem que não era conhecido de ninguém. Ele andava caminhando no mundo. Andando num caminho, ouviu grito de passarinho olhando como que com medo para o chão. Este passarinho era o bem-te-vi. Este homem, por curiosidade, começou chegar perto. Viu um feixe de capim, e embaixo era um buraco e nele havia uma multidão, eram os povos terenas. Estes homens não se comunicavam e ficaram trêmulos. Aí Oreka Yuvakae, segurando em suas mãos tirou eles todos do buraco. Oreka Yuvakae, preocupado, queria comunicar-se com eles e ele não conseguia. Pensando, ele resolveu convocar vários animais para tentar fazer essas pessoas falarem e ele não conseguia. Finalmente ele convidou o sapo para fazer apresentação na sua frente, o sapo teve sucesso pois todos esses povos deram gargalhada, a partir daí eles começaram a se comunicar e falaram para Oreka Yuuakae que estavam com muito frio.”

 

O amor nasceu na região da Serra da Bodoquena

Os Terenas acreditam que o Homem era um ser singular, criado por um deus sábio, repleto de muita energia, livre arbítrio e sentimentos constantes. O principal valor de sua cultura era o amor. Nada era mais importante, mais verdadeiro e mais divino. Fazia parte da cultura acreditar que pelo amor valia a pena viver ou, se necessário, morrer. Foi a escolha de Cacai.

 

Referências

  • Portal Bonito: A Lenda das 700 Luas
  • Dorado News: Túnel Lúdico terá 700 Luas para contar histórias de amor
  • Campo Grande News: Na crença onde nada é mais divino do que o amor
  • Livro: A História do povo Terena, de Circe Maria Bittencourt e Maria Elisa Ladeira
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